News Update :
Home » » AME FUNDAÇÃO Relata os lances que incentivaram o CONDEPHAAT a tombar a área de 60 alqueires da Cooperativa Agrícola de Cotia

AME FUNDAÇÃO Relata os lances que incentivaram o CONDEPHAAT a tombar a área de 60 alqueires da Cooperativa Agrícola de Cotia

AME FUNDAÇÃO Relata os lances que incentivaram o CONDEPHAAT a tombar a área de 60 alqueires da Cooperativa Agrícola de Cotia

Em 4 de abril de 2002, ciente dos perigos que o ecossistema  de 60 alqueires, pertencente à Cooperativa Agrícola de Cotia, estava a ocorrer, em virtude de ter  a empresa entrado em liquidação, em 1995, Ame Fundação Mundial de Ecologia peticionou ao Promotor de Justiça local, requerendo o tombamento da propriedade, em razão  da exuberante mata nativa  e fauna ali existentes.

O requerimento foi encaminhado, primeiramente à Curadoria do Meio Ambiente, de Cotia e, posteriormente, ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arqueológico –CONDEPHAAT- da Secretaria de Cultura do Estado de S.Paulo.

Ame contou, desde o início, com a valiosa colaboração do geógrafo e professor Aziz Ab’Sáber, ex-presidente do Condephaat e diretor do Instituto Histórico e Geográfico da USP.

O requerimento, de 4/4/2022 estava assim redigido: Exmo. Senhor Doutor Promotor de Justiça da Comarca de Cotia/Curadoria do Meio Ambiente. Ame Fundação Mundial de Ecologia, fundada neste município, em 28.8.1976, com CNPJ 48235865/0001-63, pelo seu diretor-presidente, Waldemar Paioli, vem perante V.Exa.

REQUERER o tombamento integral de aproximadamente 60 alqueires de terras com mata nativa, na Estrada do Embu, 3500/Cotia, antiga sede rural da Cooperativa Agrícola de Cotia – em liquidação, pelos motivos que passa a expor.

Estão cada vez mais raros os ecossistemas naturais nesta região, ameaçados  pela fúria desenvolvimentista-consumista que vê, nos espaços consagrados à recuperação da qualidade de vida das populações, apenas um campo de proliferação fadado a suportar todo tipo engenharia civil, com vistas à expansão demográfica, sem nenhum prurido quanto à defesa do solo e do microclima, das localidades, indispensáveis à fotossíntese e às cadeias tróficas ali existentes.

Várias razões assistem para que a área seja contemplada pelo Instituto do Tombamento: 1º - pela existência de vegetação nativa, dentro das características de formações florestais secundárias nos estágios inicial e médio de regeneração, inseridos no domínio da Mata Atlântica, com fragmentos estratificados (2 a 3 estratos), contendo árvores de médio e grande porte, alimentadas pela presença de sub-bosques arbustivo/herbáceos, em amplitude moderada da distribuição diamétrica, predominante variação entre 10 e 20 cm. E presença de árvores com DAF=20  cm. Boa diversidade biológica em espécies vegetais.

Contém, ainda, a área, boa parte de reflorestamento de araucárias, com regeneração de sub-bosques nos estágios pioneiro, inicial e médio de desenvolvimento.

Alguns espaços de áreas que foram ocupadas até alguns anos, com vegetação rasteira (gramíneas e espécies ruderais), regeneração pioneira de vegetação nativa (herbáceo/arbustiva), áreas sem vegetação, acessos, galpões abandonados, poucas residências.

2º - pela privilegiada localização, na Estrada do Embu, vizinhança dos loteamentos Colibri (Cotia/Embu), bairros: Moinho Velho/Água Rasa (Cotia) e Jardim Tomé/Jardim Santa Luzia (Embu), escorando, em grande parte as instalações de um cemitério israelita nas proximidades (Embu).

3º - o Instituto do Tombamento prevê a necessidade  de serem algumas áreas, de paisagem notável ou de absoluta necessidade para a desaceleração urbana desenfreada; serem TOMBADAS para instituição de programas de educação ecológica, bem como para que o regime pluviométrico da região não sofra solução de continuidade, a par da vital importância climática nos bairros citados, e também como forma de preservação permanente de importante ecossistema, mantido milagrosamente na região, sem grandes incursões humanas devastadoras.

4º - as terras dos municípios de Cotia/Embu (especialmente na localidade apontada) fazem parte de uma Sesmaria de 6 léguas em quadra da Carta de Dada de Terras, de 12 de outubro de 1580, firmada pelo capitão Jerônimo Leitão, da Capitania de São Vicente, doada aos “índios de Pinheiros” como forma perpétua, mas foram esbulhadas, a partir de 1789, com a expulsão dos jesuítas (administradores da Sesmaria), ano em que as terras ficaram sob domínio da Coroa Portuguesa até 1822, passando para a monarquia brasileira e, posteriormente, para a república (15/11/1889), quando, invadidas, ficaram sujeitas ao regime de usucapião, nem sempre concedido pela União, que vem agravando as petições, por se tratar de terra indígena.

5º-Ame Fundação Mundial de Ecologia, após o competente decreto de tombamento, buscará, através de parceria com as prefeituras locais e empresas interessadas em projetos ambientais. O estabelecimento de campus agrícola avançado para produção de mudas, cruzamento de espécies, escola de educação ambiental e produção de plantas medicinais e mudas de espécies em extinção.

POR TODAS ESTAS RAZÕES, Excelência,, Ame-Fundação Mundial de Ecologia conta com o máximo empenho dessa Curadoria, no sentido de tomar as providências exigíveis por lei para que o tombamento seja efetuado pelos órgãos estaduais (CONDEPHAAT) e federal (IPHAN), pelo que antecipa os melhores agradecimentos. Saudações Pátrias. Cotia, 4 de abril de 2002. W.Paioli-presidente.

Em 27/11/2002, AME FUNDAÇÃO juntou histórico e requereu, também, o tombamento da área, cujo Ofício do CONDEPHAAT, de 22 de agosto de 2012,znunciando a abertura do processo veio ter as nossas mãos. Foram, portanto, 10 longos anos de espera para que Embu das Artes e Cotia fossem contemplados com a medida que visa salvar a floresta e a memória daquela que foi a maior cooperativa do mundo.
Share this article :
 
Design Template by panjz-online | Support by creating website | Powered by Blogger