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CALHA DO RIO TIETÊ E O TRABALHO DE SÍSIFO

Nasci em São Paulo, no bairro do Braz (com z), aos 4/2/1925. Assim, estou com 86 anos e sou formado em engenharia civil pela Escola Politécnica da USP, Turma de 1948. Em janeiro de 1949, há 62 anos (!), iniciei minha carreira profissional no Departamento de Obras Públicas do Município de São Paulo, Divisão de Construção, Agrupamento de Àguas Pluviais. Lá trabalhei com insignes engenheiros, que muito engrandeceram a Engenharia Municipal. Cito, entre tantos outros, Prestes Maia, Pedro França Pinto, Alberto de Zagottis, Américo Bove, todos de saudosa memória. Desse modo, acompanho, há 62 anos (!) o grave problema das inundações em São Paulo. Inúmeras soluções foram tentadas durante esses 62 anos. Sem falsa modéstia, conheço todos esses trabalhos, desde o primeiro, solicitado pelo saudoso Prefeito Firmiano Pinto, em 1924, ao insigne Engº Saturnino de Brito e apresentado por este, em outubro de 1925. Possuo uma cópia desse excelente projeto que , na minha opinião, é o melhor elaborado até hoje, sobre o assunto.
Atualmente estão sendo construídos "reservatórios de detenção", como os denomina o saudoso engenheiro municipal Paulo Sampaio Wilken, em seu livro "Engenharia de Drenagem Superficial". Esses reservatórios são impropriamente chamados de "piscinões", pois são inadequados para a prática da natação !!! Se quiserem um nome popular, demagógico, o nome mais apropriado seria "lixões"!!!
Ao longo desses anos todos, procurei uma solução definitiva para o problema  das inundações na minha querida cidade natal, pensando agora na felicidade de  meus dois bisnetos !!! Após muitas pesquisas, passei a estudar o sistema de drenagem profunda da Cidade do México. Possuo farta documentação sobre esse sistema. A Cidade do México está situada a mais de 2000 metros acima do nível do mar e é rodeada de montanhas. O sistema de drenagem profunda, com a construção de poços profundos e túneis, começou a ser executado em 1910 e as águas pluviais são conduzidas para o Golfo do México !!! Para mais informações, entrar no Google. Para mim, no caso do Planalto de São Paulo, que está situado a mais de 720 metros acima do nível do mar, a solução seria idêntica à da Cidade do México. Na região do ABC, com poços e túneis, as águas pluviais seriam lançadas ao mar, na Praia Grande, no litoral paulista e, na região oeste, seriam conduzidas para um lago a ser aberto, no Vale do Rio Juqueri, num local hoje coberto de eucaliptos, sem habitações!
Combato o rebaixamento calha do Rio Tietê desde 1987, há 24 anos, por considerá-lo obra inútil e perdulária! Inclusive questionei essa obra na Justiça, através do processo nº 325/88, que tramitou na 3ª Vara Cível do Fórum João Mendes, com ganho de causa. Apelo para os dignos representantes do Ministério Público para requererem o desarquivamento desse processo nº 325/88, a fim de o Estado ser ressarcido dos prejuízos  advindos desse rebaixamento inútil.
Comparo esse rebaixamento ao trabalho de Sísifo, da mitologia grega. Segundo a lenda, Sísifo, rei de Corinto, foi levado  por Hermes ao Inferno, onde o condenaram ao suplício de rolar uma rocha até o cimo de um monte, donde ela despencava, devendo o condenado recomeçar incessantemente o trabalho.
No caso do rebaixamento da calha do Rio Tietê, o trabalho inútil não é lenda grega, é realmente inútil !!!
BRAZ JULIANO
bjuliano@uol.com.br
São Paulo

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