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Brasil, Colônia de Banqueiros

O ônus da República
Depois de proclamada a Republica, peorou a nossa situação. A velocidade adquirida com os empréstimos da monarquia se acelerou ao sopro dos desperdícios republicanos e rolamos mais depressa para o abismo...  
O primeiro empréstimos do novo regime foi feito com Rotschild, em 1893, para a Estrada de Ferro Oeste de Minas, garantido pelo Governo: 2.968.000 de capital real reduzidas a 2.374.000 pelo tipo 80. O nominal eleva a divida a 3.710.000. Calculando os juros de 5% ao prazo de 30 anos, segundo o contrato, veremos que as 2.374.000 nos custarão 9.275.000!!
 

Na assinatura dos instrumentos necessários, a companhia aludida foi representada pelo barão do Rosário e o governo brasileiro pelo seu plenipotenciário conselheiro João A. de Souza Corrêa.


‘Em 1895, a 17 de julho, sendo ministro da Fazenda o Conselheiro Rodrigues Alves, segundo empréstimo com Rotschild: 6.000.000 reais por 7.442.000 nominais, reduzidas de 15%, em virtude do tipo 85, portanto 5.100.000, das quais os banqueiros retiraram ainda 2.000.000 para resgate da divida flutuante do Governo Brasileiro com eles próprios, juros de 5% e prazo de 30 anos. Custar-nos-á a brincadeira 18.605.000!


Não era possível agüentar o peso esmagador do serviço de juros, sobretudo depois das perturbações políticas, sociais e militares do inicio da era republicana. Em 1898, Governo Campos Sales e Rotschild fizeram o 1º funding-loan, isto é, o primeiro empréstimo de consolidação, garantido pela renda das alfândegas, coitadas! Emitiram-se bônus no valor de 8.613.717 a juros de 5% e prazo de 63 anos. Até 1961! Verdadeira hipoteca do futuro!

Esses títulos representam os juros acumulados que passam a constituir nova divida, rendendo novos juros. Em 31 de Dezembro de 1930, logo após a queda do Governo Washington Luiz, ainda havia em circulação bônus no valor de 6.872.600.


Será curioso ver o custo total em 1961: 27.283.208!!

 

A situação econômico-financeira que se antolhava ao país na época do funding era na verdade lastimável. O ministro da Fazenda do governo de Prudente de Morais, pintara-a já com cores carregadas:

 

De 1888 a 1894 transpusera o Brasil períodos assinalados pelas maiores agitações quais as provenientes da abolição do elemento servil e da proclamação da Republica, que abriram uma fase de graves perturbações políticas, freqüentes revoltas e constantes alterações da ordem...


Além disto, a megalomania, as grandes operações aleatórias visando fáceis riquezas, as maravilhas do jogo da bolsa e dos capitais fictícios, que haviam animado nervosamente os últimos tempos do Império, não se contiveram pelo advento das novas instituições, porque se ampliaram as temerosas aventuras; e sob a ilusão do deslumbramento de uma magica econômica concebeu-se a possibilidade da creação de uma surpreendente sociedade nova, opulentada rapidamente, por golpes repetidos de emissões de papel-moeda...

A moeda fiduciária, copiosamente lançada, desvalorizou-se... Desde logo, delineou-se o seguinte quadro: a desvalorização do papel-inconvertivel, causada pelas emissões sucessivas e pelos profundos e contínuos abalos sociais por um lado; por outro, as novas perturbações, os motins e desordens reiteradas, as conspirações, as ameaças de intervenções dos quartéis e fortalezas, a oposição prenhe de paixões, esgrimindo todas as armas da imprensa e da tribuna, tanto parlamentar como popular...

Todos esses fatores conjugados traziam como principal resultado o descredito do país e sobretudo a desconfiança dos capitais e a germinação de um verdadeiro pavor entre os credores estrangeiros... Tínhamos o defcit acrescido anualmente e que chegara ao governo de Prudente representado no assustador algarismo de mais de cem mil contos; os outros erros descritos abriram novo abismo; a verba de diferenças de cambio, ascendendo também a mais de cem mil contos anualmente. Eram duas voragens insaciáveis, nas quais fatalmente se submergia a maior parte da renda do país".
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